Entenda a Terapia do Esquema
- Patrícia Gob
- 13 de jan.
- 2 min de leitura
A Terapia do Esquema, desenvolvida por Jeffrey Young, é uma abordagem integrativa que vai além da Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) tradicional para tratar padrões profundamente enraizados. Para a TE, pensamentos repetitivos e hábitos negativos não são apenas "erros de lógica", mas reflexos de estruturas emocionais e cognitivas formadas na infância.
Abaixo, detalho como essa abordagem atua para interromper esses ciclos:
1. Identificação dos Esquemas Iniciais Desadaptativos
O primeiro passo é entender que pensamentos repetitivos (ruminação) são alimentados pelos Esquemas. Eles são "lentes" através das quais você vê o mundo, formados quando necessidades emocionais básicas (segurança, autonomia, limites, etc.) não foram atendidas na infância.
O Pensamento: "Eu sempre vou ser abandonado."
O Esquema por trás: Esquema de Abandono/Instabilidade.
2. O Trabalho com os "Modos de Esquema"
A maior inovação da TE para lidar com pensamentos e hábitos é o conceito de Modos. Quando você está em um hábito negativo ou pensamento repetitivo, você "entrou" em um modo específico. A terapia foca em desativar esses modos através da técnica minuciosa e empática:
O Crítico Interno: É a fonte da maioria dos pensamentos repetitivos negativos. Ele replica vozes punitivas ou exigentes de figuras de autoridade do passado. A terapia ensina o paciente a combater e silenciar essa voz, em vez de apenas tentar "pensar positivo".
Modos de Enfrentamento Desadaptativos: Hábitos negativos (como procrastinação, isolamento ou uso de substâncias) são vistos como formas que você encontrou para sobreviver à dor do esquema. A TE identifica se você está:
Resignado: Aceita o pensamento como verdade absoluta.
Evitativo: Cria hábitos para fugir da dor (ex: comer compulsivamente).
Supercompensador: Age de forma oposta para esconder a vulnerabilidade (ex: perfeccionismo agressivo).
3. Técnicas de Mudança (A Interrupção do Ciclo)
A técnica possui um tripé de intervenções para quebrar esses padrões:
Estratégias Cognitivas
Diferente da TCC clássica, aqui o foco é a "Reestruturação Empática".Na terapia, o paciente recebe auxílio para ver que o pensamento repetitivo foi útil no passado para proteção, mas agora é uma "mentira" que não serve mais.
Estratégias Vivenciais (Emocionais)
Este é o diferencial. Através de Imagens Mentais, Diálogos de Cadeiras e outras técnicas específicas, o paciente revive situações traumáticas de maneira suave com condução sensível, para que energize sua criança interior, moldando conexões neurais de uma maneira diferente do que está gravado em seu inconsciente. Isso ataca a raiz emocional do hábito, tornando a mudança mais efetiva do que apenas entender o problema intelectualmente e racionalmente.
Quebra de Padrão Comportamental
O foco é o hábito prático. O paciente e o terapeuta desenham experimentos para substituir o hábito negativo por comportamentos saudáveis, enquanto fortalecem o Modo Adulto Saudável. Esse é um acompanhamento profissional que lhe conduz e reorganiza sua mente com apoio diferenciado.
4. O Papel do "Reparentalização Limitada"
A base científica da terapia do esquema destaca que a relação terapêutica é o principal agente de mudança. O terapeuta oferece, dentro de limites profissionais, o que o paciente não recebeu na infância.
"A Reparentalização Limitada fornece o antídoto emocional para o esquema, permitindo que o paciente sinta segurança suficiente para abandonar hábitos de defesa antigos." — Jeffrey Young
A Terapia do Esquema é particularmente eficaz porque ela não foca apenas no "sintoma" (o pensamento), mas na "fábrica" que produz os pensamentos.


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